Dia do Condutor Socorrista de Ambulância: agilidade e segurança em situação de emergência

7 de outubro de 2022 - 11:41

Texto: Fátima Holanda / Fotos: Divulgação

O dia 10 de outubro é dedicado aos condutores socorristas de ambulâncias. O Samu Ceará conta com 615 profissionais em atividade por todo o estado.

O Dia Nacional do Condutor de Ambulância/Socorrista é comemorado em 10 de outubro. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) Ceará, gerido pela Fundação Regional de Saúde (Funsaúde) e vinculado à Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), possui, atualmente, 615 condutores, dos quais 609 são homens e seis, mulheres. Os profissionais são responsáveis por transportar a equipe de socorro até uma ocorrência e por auxiliar durante a assistência, além de conduzir a ambulância nos casos em que a vítima necessite de um atendimento hospitalar. É um trabalho que exige agilidade, autocontrole, comprometimento e responsabilidade.

Para ser socorrista do Samu 192, é necessário possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH) na “categoria D” e pelo menos seis meses de experiência na função. Além de dirigir o veículo, o trabalhador pode ser encarregado de ações básicas no suporte à vida, como reanimação cardiorrespiratória e imobilização. Daí ser necessário curso de Direção Defensiva e de Atendimento Pré-Hospitalar (APH).

“Além de todos os conhecimentos de atendimento que prestamos às vítimas, temos algo a mais – a responsabilidade de levar a equipe até onde o paciente está. Muitas das vezes, em situações de grande adrenalina e pressão psicológica, que afetam nesse transporte seguro e ágil, é que temos que conduzir com segurança”, explica Marcos Orlando Gonçalves, de 44 anos, condutor socorrista da Base do Samu 192 Ceará em Russas, no interior cearense.

Desde 2014, Marcos integra a equipe e ajuda a salvar vidas de cearenses. “Minha inspiração pelo APH e para estar onde estou hoje, aqui, foi do desejo de servir alguém da melhor forma possível, me preocupando não só com a segurança da viagem, mas com a pessoa que estava transportando”, afirmou.

De acordo com Gonçalves, não há rotina, o que torna o ofício mais desafiador. “Os incidentes não têm dia, não têm hora nem local”, ressalta. “Precisamos estar preparados física e mentalmente para dar o nosso melhor – muitas vezes, nas piores condições que encontramos o paciente”, continuou.

De ambulância ou… a cavalo!

No último dia 14 de julho, o condutor Gilberto Camelo atendeu a um chamado da Central de Regulação de Urgências (CRU) de Sobral para ir à zona rural de Crateús, na localidade de São Francisco, a cerca de 17 km do centro urbano. A ocorrência envolvia o desaparecimento de um jovem. Ao chegar numa fazenda da região, Camelo, de 31 anos, que há três atua no Serviço, recebeu informações de que a pessoa já estava sem vida e que não havia acesso para veículos até a área. “Por causa da distância, tive a ideia de pedir pra ir a cavalo, visto que precisávamos concluir o atendimento e saber se, realmente, a pessoa tinha ido a óbito ou se estava com os sinais vitais”. E mesmo em desfechos assim, o socorrista explica que fica a sensação de dever cumprido, de ter feito o melhor possível.

 

 

Se vale a pena? “É muito gratificante devolver ao seio da família aquela pessoa querida que, por uma interrupção imprevista de percurso de vida, foi levada por nós, do Samu 192 Ceará, à emergência de uma unidade de saúde. E, em outro momento, escutar um ‘muito obrigado’, acompanhado de um abraço apertado de gratidão. A dedicação que tivemos como se fosse um membro da nossa família, e na maioria das vezes nem conhecemos os pacientes que atendemos. Eu já passei por isso dentro de um supermercado lotado, onde fui surpreendido com um abraço, e um muito obrigado em voz alta. E todos ali olhando sem entender o que estava acontecendo. Fiquei muito emocionado e sem palavras”.