Em 11 anos, hospitalizações por AVC no Ceará aumentam e óbitos de pacientes internados pela doença reduzem

1 de julho de 2022 - 08:18

Assessoria de Comunicação da Funsaúde
Texto: Sílvia Bessa

Artigo assinado por equipe multiprofissional da Funsaúde levanta série histórica, analisa distribuição dos casos pelo território, perfil dos pacientes. Dados colaboram com a melhoria do atendimento

Unidade de AVC do Hospital Geral de Fortaleza foi inaugurada em 2009

 

Um artigo científico produzido por oito profissionais da Fundação Regional de Saúde (Funsaúde-Ceará) foi publicado na edição de junho da revista científica multidisciplinar Research, Society And Development. O trabalho analisa a tendência de hospitalização por acidente vascular cerebral (AVC) na população adulta do Ceará, entre 2009 e 2020, com base em dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa revela um aumento crescente de hospitalizações por AVC na rede pública do Ceará nos últimos 11 anos. Em números, de 2009 a 2020, o Ceará registrou uma média anual de 7.981,5 internações por AVC, com aumento gradativo a partir de 2012 e ápice em 2019, com 9.485 internações/ano. O grupo de pacientes com idade entre 70 e 79 anos apresentou a maior média anual de internações (2.072,4/ano), representando 25,97% do total no período, seguido do grupo com idade com mais de 80 anos (1.883/ano).

Analisando o mesmo período, no entanto, observa-se uma redução nos óbitos hospitalares a partir de 2017. O número absoluto de óbitos pelas categorias do CID-10 utilizados neste estudo foi de 3.277 em 2009 a 2.750 em 2020, de acordo com os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade, tendo uma redução de aproximadamente 16,08%, com maior sequência de queda a partir de 2017.

Leia aqui o artigo na íntegra.

“Essas tendências estão associadas em grande parte aos melhores cuidados clínicos e melhores estratégias de prevenção do AVC. Esses achados apontam para a importância da vigilância contínua das taxas de letalidade, incidência e recorrência de casos. A intervenção rápida no tratamento do AVC foi possivelmente a causa mais impactante na redução da mortalidade nos últimos anos, como apontam os estudos”, afirma Samila Torquato Araújo, enfermeira, mestre em Saúde Pública, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da Funsaúde.

O tema tem especial relevância para a fundação, que desde abril administra o Hospital Geral de Fortaleza, maior hospital da rede estadual de saúde e um dos maiores centros de referência em tratamento de AVC no Brasil. Além do HGF, o Hospital Waldemar Alcântara, localizado na Capital, e hospitais regionais do Cariri e Sertão Central também oferecem atendimento especializado no atendimento de AVC. 

O enfermeiro Antônio da Cruz Mendonça, doutor em Saúde Coletiva e coordenador de Negócios e Parcerias da Funsaúde, explica que as doenças cardiovasculares (DCV) são a principal causa de morte em todo o mundo. No Brasil, representam 28% dos óbitos, sendo na maioria dos casos causados por doenças isquêmicas do coração, seguidas pelo AVC.

“Essas afecções têm um enorme impacto econômico no país, resultando em perdas de anos potenciais de vida e uma alta carga sobre o sistema público de saúde, principalmente no custo para o Estado. O AVC pode resultar em deficiências permanentes, limitações funcionais e comprometimento da qualidade de vida”, observa Antônio. 

Ele acrescenta que no Ceará há poucos estudos sobre mortalidade e hospitalizações por AVC. “É evidente a necessidade de compreender a extensão, a magnitude dos efeitos da doença e as importantes implicações para a saúde em nossa região. Assim, descrever as tendências atuais de hospitalizações por AVC é essencial para avaliar continuamente a carga da doença e entender a evolução da transição epidemiológica no Ceará e suas regiões de saúde “, enfatiza o enfermeiro, um dos autores do artigo.

Área descentralizada de Tauá, no Sertão Central, tem maior média de internação

O artigo produzido pela equipe da Funsaúde levanta a série histórica e a distribuição dos casos registrados de AVC e óbitos em decorrência da doença. Em relação às regiões de saúde, foi observada uma tendência crescente de internações no Litoral Leste, Sertão Central e Norte, decrescente na região do Cariri e situação estável em Fortaleza. Quanto à Área Descentralizada de Saúde, Tauá, no Sertão Central, possui a maior média de internação anual no período (19,1%), seguido da área descentralizada de Juazeiro, no Cariri, com 18,2%.

“Conhecendo o diagnóstico de saúde, demandas e necessidade das regiões de saúde, será possível um melhor direcionamento das políticas e ações”, avalia Samila Torquato. “A partir deste cenário, observa-se a complexidade que é lidar com esse perfil de paciente e seus fatores de risco, exigindo dos gestores, sociedade e profissionais um engajamento preventivo para redução dos óbitos e hospitalizações, e consequentemente redução das complicações”, acrescenta Antônio da Cruz.

Os autores do artigo:

Antônio Igor Duarte Braz, Samila Torquato Araújo, Maíra Barroso Pereira, Francisco Antônio da Cruz Mendonça, Dieison Roberto Vieira Rabêlo, André Luiz Coutinho Araújo Macêdo, Manoel Pedro Guedes Guimarães, Melissa Soares Medeiros.