HGF é referência no tratamento de glaucoma, segunda maior causa de cegueira no mundo

26 de maio de 2022 - 08:39

Texto e fotos: Felipe Martins

O serviço de Oftalmologia do Hospital Geral de Fortaleza atende cerca de quatro mil pacientes por ano com a doença

A visão periférica começa a sumir de forma lenta, em um processo que pode levar anos e até mesmo décadas. É assim a manifestação mais comum do glaucoma. Quando o paciente percebe a dificuldade para enxergar, a doença geralmente já está avançada e, muitas vezes, irreversível. O distúrbio, que afeta o nervo óptico, é a segunda maior causa de cegueira no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ficando atrás apenas da catarata.

“O glaucoma surge devido ao aumento da pressão ocular, que machuca o nervo óptico”, explica o oftalmologista do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Breno Holanda. “A pressão ocular aumenta quando existe, no olho do paciente, uma dificuldade de drenagem do humor aquoso, um líquido que nutre a córnea e o cristalino. Com o nervo constantemente sendo lesionado pela pressão, o paciente vai perdendo a visão, inicialmente a lateral, até atingir a central”, completa.

Por ser uma doença de progressão lenta e de poucos sintomas, a maior forma de prevenção ao glaucoma é a consulta oftalmológica de rotina. “Existe o glaucoma agudo, o qual é mais comum a manifestação de dores nos olhos e na cabeça, mas ele não é o mais predominante. É uma doença que geralmente não tem sintomas, por isso é mais papel do médico oftalmologista, por meio de exames, suspeitar e detectar”, ressalta. A frequência de visita ao profissional deve ser anual. Para pessoas com histórico de glaucoma na família, o acompanhamento deve ocorrer a cada seis meses, indica Holanda.

A assistente administrativa Cosma dos Santos, 57, foi encaminhada ao ambulatório de Oftalmologia do HGF após diagnóstico de catarata e suspeita de glaucoma. “No meu caso, sentia dor no olho, ficava dolorido. Mas o principal motivo que me levou a buscar ajuda foi o sintoma da catarata, a dificuldade repentina de enxergar. Foi a partir dela que se descobriu o glaucoma”, relata.

 

Operada devido às duas doenças no hospital em 2021, Cosma comemora o resultado. “Mudou minha vida. Agora posso enxergar o letreiro do ônibus que vem vindo, assistir à TV, dá pra fazer tudo”, afirma. Das atividades mais simples aos desejos mais antigos: “em 2018, tentei tirar a CNH, mas não passei no teste por não enxergar direito. Agora em fevereiro, finalmente consegui tirar a carteira de motorista”, conta.

Referência no tratamento da doença

“Quando a perda da sensibilidade é reduzida, é possível recuperar a visão ou, pelo menos, estabilizar. Já nos casos mais avançados, a cirurgia é apenas para o controle da pressão. Muitas vezes, não é possível devolver o que foi perdido da visão. Por isso a importância da prevenção com o diagnóstico precoce”, reforça Breno.

No HGF, hospital gerido pela Fundação Regional de Saúde (Funsaúde Ceará), o paciente tem acesso a todos os níveis de tratamento ao glaucoma, desde colírios mais simples até cirurgias mais complexas, como os implantes de tubos de drenagem. “O que tem de arsenal de tratamento ao glaucoma no mundo o HGF oferece”, pontua o oftalmologista.

O serviço de Oftalmologia do HGF é referência em tratamento de glaucoma, atendendo cerca de quatro mil pacientes por ano com a doença, encaminhados de unidades básicas de todo o Ceará. Em média, são realizadas 40 cirurgias de glaucoma por mês.

Dia Nacional de Combate ao Glaucoma

Nesta quinta-feira (26), é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. A data, instituída pelo decreto de lei nº 10.456, de 13 de maio de 2002, tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da detecção precoce e do controle da doença.